All posts by jtrigo

Uma fábrica de vento

Foi num dia invernoso que visitei esta fábrica abandonada no concelho de Sintra. Tal como acontece na grande maioria dos locais junto à capital, os adjectivos que mais facilmente podem ser empregues são “vandalizada”ou “destruída”, mas há que ver por detrás das pinturas nas paredes e dos vidros partidos; sentir o pulso de uma história que ainda respira nos corredores sombrios e nas caixas abandonadas nos cantos das salas.

Continue Reading →

A estação fantasma

Pertencente à linha de caminhos-de-ferro da linha do Douro, o troço entre o Pocinho e a Barca d’Alva foi inaugurado em 9 de Dezembro de 1887, o mesmo dia em que foi aberto o troço entre a Barca e La Fregueneda. A linha seguia por terras de Castela para a Meseta Ibérica, rumo a Salamanca e a histórias de outras gentes e de outros lugares. O seu tempo áureo parece ter sido no início do século XX, altura em que o director da Divisão de Minho e Douro dos Caminhos de Ferro do Estado quiz introduzir carruagens de primeira classe nos serviços entre a Barca e o Porto.

Continue Reading →

O hotel da piscina que se lembra das crianças

O Hotel Sun Park, em Oeiras há bem pouco tempo fervilhava com visitantes, hóspedes em viagens de negócios ou em lazer, vidas cruzadas em extensos corredores vermelhos e em breves palavras cordiais de circunstância.

O hotel tem vários pisos, a maioria dos quais naturalmente reservada a quartos para hóspedes. Os quartos eram quase todos iguais: um pequeno corredor ladeava a casa de banho e dava para um espaço de médias dimensões, onde se encontrava a cama e o mobiliário de apoio, junto a um roupeiro com portas de vidro.

Continue Reading →

A fábrica das memórias

Mapol, Sociedade Industrial de Mármores Portugueses

Visitei recentemente esta fábrica desactivada há décadas junto a Loures. Dedicada durante anos ao fabrico de artigos em mármore e rochas similares, fechou as portas, pelo que sei por volta de 1980. Desde então, as instalações ficaram votadas ao abandono, partilhando as suas memórias com animais das sombras e com a triste chuva de inverno. O complexo é constituído por vários edifícios. Além de armazéns e de salas de tratamento de matéria-prima, existe um pequeno edifício de escritórios, onde ainda é possível consultar documentos de facturação e de notas de encomenda.

No início da jornada, parei no armazém principal, onde é possível encontrar pedras de mármore por trabalhar, bem como secretárias e pneus (!), juntamente com alguns registos de encomendas preenchidos à mão por quem aqui trabalhou. É um edifício comprido, com janelas laterais por onde a luz entra, banhando suavemente o chão sujo de poeira e pedaços de pedra.

Continue Reading →